Startup habilita agricultores a mercado bilionário do crédito de carbono

A agtech brasileira Agrorobótica utiliza sistemas de lasers para medir a quantidade de carbono retida no solo nas lavouras. A tecnologia, já disponível para outras análises, pode superar o obstáculo técnico de comprovar estes índices e abrir uma oportunidade bilionária aos produtores.

O mercado de carbono, avaliado em R$ 1,1 trilhão (US$ 200 bilhões) globalmente, é visto como uma maneira de incentivar a agricultura a adotar práticas mais sustentáveis e remunerar os produtores por isso. Grandes empresas e agtechs, como a Bayer e a Indigo, já têm iniciativas neste sentido e para a chamada agricultura regenerativa.

Equipamento emprega o LIBS, um sistema de laser que foi usado pela Nasa para pesquisar água em marte. (Foto – Agrorobótica)

A Agrorobótica é uma spin-off da Embrapa Instrumentação e usa a tecnologia pioneira ‘AGLIBS’ para análises de amostras do solo e folhas através do uso de raios laser, desenvolvida em parceria desde 2015.

Em 2018 recebeu investimento do Embrapii (Unidade IFSC/USP), para viabilidade em escala industrial da tecnologia e, desde então, demonstra aos agricultores as promissoras oportunidades de negócios no comércio nacional e internacional de carbono, à medida em que este mercado vai sendo regulamentado.

“Estamos abrindo as portas aos agricultores para oportunidade de novas formas de monetização.  Com a utilização da tecnologia AGLIBS, conseguimos, em um primeiro momento, medir de forma precisa e em larga escala o carbono estocado no solo para, em um segundo momento negociar, junto com o agricultor, os créditos de carbono no mercado”, explica Fábio Angelis, sócio fundador e CEO da Agrorobótica.

As análises feitas pela empresa permitem medir e certificar o estoque de carbono presente na área agrícola. Atualmente, 1 tonelada de CO2 equivale a 1 crédito de carbono, comercializado no exterior a preços que variam de 4 a 7 euros.

“Temos apoiado agricultores a se posicionarem de forma antecipada nesta agenda global do comércio do carbono, para que possam aproveitar as oportunidades futuras”, destaca Fábio Angelis.

A Agrorobótica combina as análises das amostras com inteligência artificial para quantificar e qualificar os dados de forma ágil, precisa e digital. Para se ter uma ideia da rapidez do processo, a empresa produz um laudo completo da amostra do solo em menos de um dia, enquanto outras técnicas chegam a durar 15 dias ou mais.

A empresa tem, assim, a capacidade de analisar mais de 500 amostras de solo por dia para avaliar tanto a fertilidade quanto a sustentabilidade da terra. E mais:  sem poluir o ambiente, uma vez que não utiliza reagente químicos nos processos de análise, como os métodos tradicionais.

A tecnologia ajuda a reduzir, ainda, os custos da produção, a partir do diagnóstico e aplicação de corretivos e fertilizantes seguindo o manejo ‘5C digital’ (fonte certa, dose certa, hora certa, local certo e I.A certa). “A nossa tecnologia AGLIBS é a mesma que foi embarcada nas recentes expedições da NASA rumo a Marte para analisar as rochas e o solo deste planeta”, ressalta Fabio Angelis.

O sequestro de carbono (também conhecido como captura de carbono) é o processo de remoção de gás carbônico da atmosfera e ocorre, principalmente, pelos oceanos, florestas e outros locais onde os organismos, por meio da fotossíntese, capturam o carbono do ar atmosférico e lançam oxigênio na atmosfera.

Até então, os setores  energético, de transporte e manejo florestal estavam na mira do negócio. A possibilidade do setor agrícola participar do mercado de venda do carbono tem atraído o olhar de empresas globais para o setor brasileiro e prospectado novos negócios no país.

“O solo é a terceira maior reserva de carbono na Biosfera. A participação do setor agrícola brasileiro neste mercado em ascensão oferece a possibilidade de uma monetização e uma renda extra ao agricultor. Além disso, o carbono sequestrado é incorporado ao solo na forma de carbono orgânico presente na matéria orgânica e proporciona a melhoria da sua qualidade”, ressalta Fábio Angelis.

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